Os efeitos do divórcio na velhice podem aparecer décadas depois do fim do casamento. É o que aponta um estudo da Universidade de Granada, na Espanha, divulgado em outubro de 2026. Os pesquisadores ouviram idosos separados ou divorciados que moram sozinhos e encontraram filhos distantes, dinheiro curto, solidão e tristeza guardada em silêncio.
O que o estudo de Granada descobriu sobre o efeito de uma separação
O trabalho foi feito por Juan López Doblas, do Departamento de Sociologia, e María del Pilar Díaz Conde, do Departamento de Psicologia Social, ambos da Universidade de Granada, e saiu na Revista Internacional de Sociología. Segundo a nota da universidade, é o primeiro estudo feito na Espanha sobre idosos separados ou divorciados.
Marcas diferentes em homens e mulheres
O estudo mostra que a ferida aparece de jeitos diferentes.
Entre os homens entrevistados, era comum o vínculo com os filhos ter enfraquecido ou se perdido depois da separação. Os pesquisadores resumem assim: eles “não parecem ter sabido diferenciar seus papéis de maridos e de pais, de modo que a ruptura conjugal levou à sua ausência da cena familiar”*. Hoje, muitos não contam com os filhos para nada, de acordo com a pesquisa.
Entre as mulheres, os laços com os filhos em geral continuaram. Mas o preço veio de outro lado: muitas criaram os filhos sozinhas, em jornada dupla, com trabalhos mais precários, e hoje vivem com aposentadorias baixas, que não pagam uma ajuda profissional em casa quando ela se torna necessária.
LEIA TAMBÉM: O que não deve faltar em um relacionamento para ser duradouro?
Para os dois, aparece a mesma falta: alguém para conversar. Há entrevistados que dizem não ter ninguém a quem contar um problema. Segundo a nota da universidade, muitos, sobretudo os homens, têm sintomas de depressão e sentimentos de solidão que escondem e suportam “em silêncio e com resignação”*. Uma senhora divorciada, de 82 anos, resumiu numa frase que dói: “Eu sou mãe, e eu sou avó, mas não sou nada!”*
*Citações em tradução livre do espanhol (artigo original) e do inglês (nota da Universidade de Granada).
LEIA TAMBÉM: Como superar discussões no casamento?
Vale a pena lutar pelo casamento antes da crise endurecer
Todo casal passa por fases difíceis. Crise não é sentença. Na Amoris Laetitia, o Papa Francisco, retomando os bispos do Sínodo, afirma que “com uma ajuda adequada e com a acção de reconciliação da graça, uma grande percentagem de crises matrimoniais é superada de forma satisfatória” (AL 236).
Por isso, é muito melhor fortalecer o casamento agora, quando está tudo “normal”, do que esperar o dia em que a palavra divórcio — ou separação — aparece na mesa. A velhice que sonhamos, com mãos dadas, mesa cheia no domingo e filhos que gostam de voltar para casa, não chega por sorte. Ela é construída nas escolhas pequenas de uma terça-feira comum.
Gestos concretos para fortalecer o casamento hoje
Nada de grandes planos. Escolha um ou dois destes gestos e comece esta semana:
- Dez minutos sem celular, todo dia. Olho no olho, aparelhos em outro cômodo. Pergunte “como foi seu dia, de verdade?” e escute até o fim.
- Um encontro a dois por semana. Não precisa gastar: um café na padaria, uma caminhada no fim da tarde. O que não entra na agenda costuma ficar para depois.
- As três palavras do Papa. Francisco resume a convivência em casa em “com licença, obrigado, desculpa” (AL 133). Use as três hoje, de propósito.
- Não deixe a briga dormir com vocês. Pedir perdão cedo custa menos do que carregar mágoa por anos.
- Rezem juntos. Um Pai-Nosso antes de dormir, uma dezena do terço no carro. É o jeito concreto de colocar Deus no meio do casamento.
- Sejam pai e mãe juntos. O estudo mostra o que acontece quando ser cônjuge e ser pai se confundem. Que os dois estejam presentes na lição de casa, no banho, na conversa difícil, e que os filhos nunca virem arma numa discussão.
- Renove o “sim”. No aniversário de casamento, relembrem o dia, releiam os votos, contem um para o outro por que escolheriam de novo.
- Peça ajuda cedo. Pedir ajuda não é fracasso. Pergunte na sua paróquia pela Pastoral Familiar, da CNBB, ou procure um movimento de casais como as Equipes de Nossa Senhora. Uma terapia de casal com um bom profissional também pode ajudar. Se houver violência, não enfrente sozinha: o Ligue 180 atende de graça, 24 horas, e, em emergência, ligue 190.
Veja mais: São Valentim: A História por Trás do Santo do Amor
